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A África e os desafios do Século XXI

13ª Assembleia Geral do CODESRIA : 5 a 9 de Dezembro de 2011, Rabat (Marrocos)

O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA) irá realizar a sua 13 ª Assembleia Geral de 5 a 9 de Dezembro de 2011 em Rabat (Marrocos). A Assembleia Geral do CODESRIA, que acontece de três em três anos, é um dos eventos científicos mais importantes do continente africano. O encontro oferece uma oportunidade única para que os investigadores africanos em ciências sociais possam reflectir juntos sobre os grandes desafios do mundo, nomeadamente aqueles com que a África se vê confrontada, bem como os que interpelam as ciências sociais enquanto tal. Este ano, o tema do colóquio científico da 13 ª Assembleia Geral do CODESRIA é " A África face aos desafios do século XXI."

O século XXI, como o século passado, parece não querer romper com o paradigma do complexo e do incerto. Em vez disso, confirma apenas que a proclamação precipitada e imprudente do "fim da história", segundo Fukuyama, não pode, legitimamente, livrar-se das questões que hoje interpelam, entre outros, o significado e a presença de África num mundo que vê as potências emergentes (África do Sul, Brasil, Rússia, Índia e China) agitarem cada vez mais a geopolítica tradicional. A crise financeira e as suas implicações sociais em alguns países do Norte, bem como a natureza cada vez mais global dos problemas tornam evidente a necessidade urgente e imperiosa de os africanos teorizarem sobre a questão do futuro do nosso continente neste novo século.

Esta postura pretende mostrar que a legitimidade do processo só pode ser forjada através da ruptura: ruptura com o afro pessimismo de fora e de dentro, para mostrar que a nova ordem política e económica mundial não é uma fatalidade; ruptura com uma construção teórica de África, que rejeita interrogações como as colocadas pelo Banco Mundial em 2000: " Será que a África pode reivindicar o seu lugar no século 21”? Trata-se de compreender como e porquê a África ainda é objecto estratégico na nova ordem político-económica mundial e quais são as oportunidades que lhe permitem reposicionar-se no mundo a partir do seu próprio objectivo, que continua a ser o de proporcionar o desenvolvimento aos seus habitantes (que de acordo com Sen, também deve ser entendida como liberdade).

Há que desconstruir o que alguns chamaram "o confinamento de África a uma economia de renda", compreender de forma mais crítica as oportunidades que se oferecem a este continente, mas também as restrições que pesam sobre ele, pois a questão de fundo é saber como é que neste século 21 se deve opor à "invenção da África" uma "invenção do mundo" por África?

Questões mundiais, desafios globais

A globalização neoliberal, cada vez mais complexa, as mudanças nas relações interculturais a nível global, as alterações climáticas, a pobreza, o desenvolvimento rápido das cidades, a revolução das TIC, a emergência da sociedade do conhecimento, a evolução das relações de género e as relações intergeracionais, a evolução das espiritualidades e do estatuto e lugar da religião nas sociedades modernas, a emergência de um mundo multipolar e o fenómeno dos países emergentes do Sul, fazem parte das realidades do nosso mundo que são discutidas tanto pelos académicos como pelos políticos. Alguns destes temas foram identificados pelo Relatório Mundial sobre as Ciências Sociais como sendo grandes desafios do século 21.

As discussões sobre as mudanças climáticas, tais como as tidas sobre os países chamados emergentes, são muito mais importantes hoje do que eram há 30 ou 40 anos atrás Se a cimeira do Rio sobre meio ambiente foi um ponto alto na mobilização da comunidade internacional face aos desafios decorrentes do aquecimento global, tais Cimeiras têm sido raras. No entanto, em menos de dois anos, foram realizadas duas cimeiras: a de Copenhaga e a de Cancun sobre as alterações climáticas. Dentro em breve realizar-se-á outra cimeira sobre estas questões, em Durban, na África do Sul. Também foram lançados grandes programas internacionais sobre redução das emissões de gases com efeito de estufa, tais como o REDD e REDD +. Além disso, a criação da Zona Euro, bem como a ascensão de países como China e Índia têm tido repercussões no mundo inteiro.

A questão que se deve colocar é saber em que medida tudo isto afecta a África, e como é que o continente se prepara para enfrentar estes desafios, bem como os que se irão colocar mais tarde. Hoje em dia é bastante difícil acompanhar os avanços da ciência e da tecnologia, nomeadamente nas áreas da biotecnologia e da nanotecnologia, da engenharia genética e outros grandes desafios científicos. O desafio que a África deve enfrentar é por conseguinte, não só o de compreender como é que as novas descobertas científicas podem ter um impacto nas nossas sociedades, mas também o de ser verdadeiramente um "continente da ciência".

A rapidez das mudanças em praticamente todas as esferas da vida social, tanto a nível local, nacional e continental, como a nível mundial torna difícil identificar os desafios que África irá enfrentar neste e no próximo século. A própria ciência está a sofrer transformações como resultado das mudanças que ocorrem na natureza e nas sociedades. Além disso, longe de ser neutras, a ciência e a tecnologia tornaram-se os principais intervenientes nas mudanças que se verificam nos sistemas de produção, comércio, relações interculturais, bem como na investigação e na formulação de respostas às mudanças climáticas. A capacidade que a ciência tem de antecipar, ler e interpretar os processos de mudança tem aumentado ao longo dos anos. A capacidade de a humanidade acompanhar os desenvolvimentos que ocorrem na natureza e de capturar as principais tendências de mudanças que têm ocorrido na sociedade irá certamente aumentar à medida que a própria ciência irá desenvolver-se. Portanto, a lista das questões que podem ser considerados grandes desafios para o século XXI , pode mudar ao longo do tempo.

A África do século XXI

A África entrou no século XXI sem que se tenha conseguido resolver muitos problemas, nomeadamente os ligados à pobreza, urbanização rápida e à governança urbana, à questão nacional, integração regional, desigualdade de género, insegurança alimentar, os conflitos e a violência, e o facto de ocupar uma posição subalterna, senão de dominada na governança mundial. O peso do passado constitui um grande handicap para a África, nomeadamente o do colonialismo e o do neocolonialismo. Os efeitos do tráfico de escravos, da colonização e do neocolonialismo que a África sofreu ainda se fazem sentir. O tráfico de escravos, o colonialismo e a dominação neo-colonial tiveram separadamente e em conjunto como consequência, a supressão das liberdades, a violação dos direitos humanos e da dignidade dos povos do continente, bem como a pilhagem dos recursos humanos, naturais e intelectuais, o que levou que o historiador pan-africanista Walter Rodney tivesse falado do "subdesenvolvimento" do continente africano. Entre as principais deficiências do continente na aurora deste século XXI, figuram igualmente o baixo nível de instrução de muitos africanos, a falta de técnicas modernas de produção e de transportes, um espaço político fragmentado e uma estrutura extrovertida das suas economias. As economias, as instituições de ensino superior e as culturas das elites foram fortemente marcadas, não por uma filosofia e estratégias de desenvolvimento guiadas pelos interesses dos povos africanos, mas por influência, não necessariamente libertadoras, provenientes de países do Norte. No entanto, a África do final da primeira década do século 21 não é exactamente a mesma que a África do início dos anos sessenta que acabara de se libertar do jugo colonial. Da mesma forma, os desafios de hoje não são os mesmos dos anos 60. Mesmo que ainda haja alguns com os quais o continente vem-se confrontando desde os primórdios da independência, eles colocam-se de forma diferente no contexto actual. Isto é particularmente verdade para as questões de governação e de desenvolvimento, que na sua maior parte, ainda estão à espera de solução.

Contudo, tudo leva a crer que estas questões têm assumido uma dimensão e pertinência particulares. A celebração do 50 º aniversário das independências africanas em 2010 foi uma ocasião para os investigadores africanos fazerem um balanço dos 50 anos de independência, um balanço que revelou ser mitigado. É certo que houve muitas conquistas em termos de desenvolvimento social e económico. Foram feitos enormes progressos em matéria de educação e saúde, e alguns países conseguiram edificar com sucesso sistemas democráticos de governação, especialmente depois da onda de Conferências Nacionais (na África Ocidental e Central) do final dos anos 1980 e inícios dos anos 1990. A queda dos regimes autoritários, o fim do apartheid, a alternância em países como o Senegal, e as profundas mudanças ocorridas na Tunísia (a revolução de jasmim), no Egipto e noutros lugares do norte da África, tornaram mais reais as perspectivas de democratização e de desenvolvimento de África.

Contudo, mesmo com as recentes transformações políticas, as questões de governação continuam a fazer parte dos grandes desafios que enfrenta o nosso continente. De facto, a África vive ainda o paradoxo da pobreza que consiste em ter a maior parte das populações pobres apesar de viverem em países em que abundam grandes recursos naturais e humanos.

A pobreza é massiva e está profundamente enraizada, e os processos que levam à exclusão e à marginalização de sectores inteiros das sociedades africanas continuam em curso. Ora, a exclusão e a marginalização social e política de indivíduos, grupos e classes sociais inteiras estão na origem de numerosos conflitos que devastaram diversos países do continente, agravando assim o subdesenvolvimento e a dependência internacional.

Alguns dos “remédios” propostos ou mesmo impostos à África para a resolução da crise económica e, mais geralmente, para os problemas do subdesenvolvimento e a pobreza generalizada contribuíram, em certos casos, para o agravamento dos problemas que eram supostos resolver. Outros, como o recurso aos OGM, apresentados como antídoto para a insegurança alimentar, ou a alienação de terras em grande escala em benefício de empresas multinacionais que produzem culturas alimentares ou biocombustíveis levantam importantes questões políticas, sanitárias e éticas, tornando a questão agrícola ainda mais complexa. O mercantilismo que se impõe em quase todas as esferas da natureza e da sociedade, incluindo os órgãos humanos, os recursos florestais e as próprias ciências sociais, coloca enormes desafios à ciência, ainda que em certos aspectos o processo orientou o fluxo de preciosos recursos financeiros e humanos para certas questões essenciais que conduziram a grandes descobertas que intervêm no progresso social. No entanto, ao que tudo indica, com excepção de alguns, os países do Sul continuam na relação global que existe por trás destes processos, na posição de receptores/consumidores, ou no melhor dos casos a desempenhar o papel de “passageiro” em lugar de “condutor” no processo de globalização.

A reflexão deveria igualmente explorar pistas como a mobilidade das populações africanas, as suas consequências em termos de cidadania e de direitos, as suas repercussões sobre as relações de género; a questão das mudanças climáticas, a gestão dos recursos naturais e o problema da segurança alimentar; a problemática recorrente da integração africana, com destaque para a questão da moeda e das fronteiras, ou ainda a governação das cidades africanas, dado que numerosos estudos prospectivos identificam a urbanização como uma forte tendência da evolução do continente. Estes elementos parecem ser pontos que continuarão a determinar a evolução de África.

Uma atenção particular deve ser dada ao ensino superior, pela importância sem igual que constitui o saber e sobretudo pela sua capacidade de influenciar o conjunto do sistema. A “vulnerabilidade” de África não resulta do seu lugar marginal na economia do saber? Com as mudanças em curso no ensino superior no mundo e o enfraquecimento de numerosas universidades africanas como resultado de vinte anos de programa de ajustamento estrutural (PAE), da fuga de cérebros e de pura negligência por parte do Estado, a investigação africana encontra enormes dificuldades nas suas tentativas de estudar e interpretar estes e outros fenómenos.

As novas tecnologias, nomeadamente as TIC, desempenham um papel crucial no desenvolvimento social, económico e político do continente. O telefone móvel e as estações de rádio FM desempenharam um papel importante nos movimentos políticos e sociais que conduziram à alternância que marcou o fim de 40 anos de reinado do partido que governou o Senegal desde a sua independência. Perante as restrições impostas aos debates políticos em numerosos países como a Tunísia, viu-se a importância que assumiu a Internet, e nomeadamente os meios de comunicação baseados na Internet como Facebook e Twitter, como espaço de lutas democráticas. A governação da Internet, espaço gerido essencialmente por empresas multinacionais privadas de um novo tipo (Facebook, Twitter, Google, YouTube, etc.), é contudo uma questão a resolver.

Portanto a questão é a seguinte: este século será o de África, como se afirma por vezes? Uma melhor maneira de colocar mais ou menos a mesma questão é perguntar-se: como pode a África tomar nas mãos o seu futuro e fazer deste século o do seu renascimento? Mas o que significa fazer do século XXI o século da África e o que é que isso implica? Quais são os principais desafios que o continente, os seus povos e as suas diásporas deverão superar nas próximas décadas? Como é que as ciências sociais e humanas conseguirão vencer os desafios que já conhecemos, e que tipos de desenvolvimento os sistemas africanos de ensino superior e de investigação empreendem a fim de conseguirem preparar a África para vencer os desafios a que deveria fazer face nas próximas décadas deste século?

Qual é o papel dos intelectuais em geral e do CODESRIA em particular em relação a eles? Os desafios teóricos são muito importantes. A construção de uma ciência autóctone voltada para a compreensão das realidades sociais africanas sempre foi a ambição do CODESRIA e de todos os grandes intelectuais do continente. A luta contra as consequências intelectuais da dominação ocidental está contudo longe de estar ganha. A divisão científica do trabalho em que a África ainda é percebida principalmente como fornecedora de materiais em bruto e inúteis para a transformação das sociedades africanas continua vigente. A agenda epistemológica do continente deve ainda incluir a transformação da ordem epistemológica dominante, que favorece o Ocidente e prejudica o Sul, e a África em particular. A valorização das conquistas intelectuais dos grandes pensadores africanos e da Diáspora como Ibn Khaldun, Ibn Batuta, El-Bekri, Al Idrissi, Ahmed Baba, Marcus Garvey, WEB Du Bois, Léopold Sédar Senghor, Cheikh Anta Diop, Frantz Fanon, Aimé Césaire, Joseph Ki-Zerbo, Ruth First, Chinua Achebe, Ngugi wa Thiong’o, Wole Soyinka, CLR James, Abdul-Rahman Babu, Sembène Ousmane, Fela Kuti, Tajudeen Abdul-Raheem, Archie Mafeje, Bernard Magubane, Samir Amin, Claude Ake, Ali El-Kenz, Fatima Mernisi, Mahmood Mamdani, Amina Mama, Souleymane Bachir Diagne, Paulin Hountondji, Jean-Marc Ela, Thandika Mkandawire, Fatou Sow, Issa Shivji, Ifi Amadiume, Oyeronke Oyewumi e Omafume Onoge (a lista é longa) deve continuar a fazer parte das nossas prioridades, da mesma maneira que o diálogo Sul-Sul e Sul-Norte.

A Conferência de Casablanca, cinquenta anos depois

A realização da 13ª Assembleia Geral do CODESRIA tem lugar pouco depois de numerosos países de África celebrarem o cinquentenário da sua independência. Ela tem lugar igualmente, e é de sublinhar, 50 anos após a realização da Conferência de Casablanca (1961), na qual Kwame Nkrumah (Gana), o Mwalimu Julius Nyerere (Tanzânia), Gamal Abdel Nasser (Egipto), Ahmed Sékou Touré (Guiné), Modibo Keita (Mali), Ferhat Abbas (Argélia) e outros grandes dirigentes de Estados africanos recentemente independentes e de movimentos de libertação nacional que formavam na altura o campo progressista tomaram parte, a convite do Rei Mohamed V do Marrocos. Esta conferência preparou o terreno para a criação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963. A realização da 13ª Assembleia Geral do CODESRIA em Marrocos permitirá celebrar o quinquagésimo aniversário desta conferência, render homenagem aos pais fundadores da OUA, hoje União Africana (UA), e colocar a questão de saber como refundar o projecto de integração africana e renovar o nosso compromisso colectivo de o realizar.

Organização da Assembleia Geral

A Assembleia Geral do CODESRIA será organizada em três partes: 1) um colóquio científico no âmbito do qual se desenrolarão as discussões sobre os desafios do século XXI e que incluirá sessões plenárias e sessões paralelas. Haverá lugar igualmente para iniciativas autónomas propostas por pessoas e instituições de pesquisa que possuam recursos para isso e desejem organizar painéis. Por último, diversas grandes personalidades do mundo universitário provenientes de África, da Diáspora e de outros países do Sul tomarão a palavra no quadro de grandes conferências; 2) a celebração do quinquagésimo aniversário da Conferência de Casablanca, e 3) discussões relativas à vida institucional do CODESRIA no âmbito das quais serão apresentados os relatórios do Presidente do Comité Executivo, da Presidente do Comité Científico e do Secretário Executivo do CODESRIA, o Plano Estratégico e as prioridades de pesquisa para os próximos anos, as eventuais alterações a introduzir à Carta do CODESRIA, assim como a eleição de um novo Comité Executivo, de um Presidente e de um Vice-presidente do CODESRIA.

Entre as questões e os temas que serão abordados durante o colóquio científico figuram, a titulo indicativo, os seguintes:

- Pensar o amanhã, reinventar o nosso futuro;
- Renegociar o lugar de África no mundo;
- A integração africana;
- África e a revolução científica e tecnológica;
- O futuro das ciências sociais e das humanidades;
- Reforçar os sistemas africanos de ensino superior e de pesquisa;
- Mudanças climáticas, processos de adaptação e governação;
- Dinâmicas populacionais e políticas populacionais para o futuro;
- Viver juntos: cidadania local e pan-africana;
- Fazer com que a governação funcione para todos os africanos;
- Migração, cidadania e identidade;
- Diáspora africana e presença africana no mundo;
- Governar as cidades africanas;
- Manter a esfera pública aberta e democrática;
- Transformar a agricultura africana;
- O desenvolvimento industrial na era da globalização neoliberal;
- A gestão democrática e sustentável dos recursos naturais de África;
- África e os países emergentes: possibilidades de uma estratégia africana de engajamento;
- Transformar as relações de género;
- Direito, ética e sociedade;
- Os direitos humanos e a segurança humana no século XXI;
- Os novos desafios em matéria de segurança e paz;
- Novos movimentos religiosos em África e liberdade de pensamento e de expressão;
- Línguas, culturas e artes africanas e globalização;
- África e a promessa de uma nova revolução democrática;
- As novas formas de hegemonia, as novas formas de solidariedade.

Clique aqui para ver comunicações apresentadas em texto completo

(PDF, 1.5 Mb)

Seus comentários

  • No 3 de Abril de 2013 em 09:11, por batman Em resposta a : L’Afrique et les défis du XXIème siècle

    ouais c’est cool

  • No 27 de Maio de 2013 em 01:28, por Sherlyn Em resposta a : Africa and the Challenges of the Twenty First Century

    An impressive share, I just given this onto a colleague who was doing a little analysis on this. And he in fact bought me breakfast because I found it for him.. smile. So let me reword that: Thnx for the treat! But yeah Thnkx for spending the time to discuss this, I feel strongly about it and love reading more on this topic. If possible, as you become expertise, would you mind updating your blog with more details? It is highly helpful for me. Big thumb up for this blog post!usados hyundairuBpndRakxQbVvG1LJSK

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