Council for the Development of Social Science Research in Africa
Conseil pour le développement de la recherche en sciences sociales en Afrique
Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África
مجلس تنمية البحوث الإجتماعية في أفريقيا


15.ª Assembleia Geral África e a Crise da Globalização

(#CODESRIAGA2018)
Datas: de 17 a 21 de Dezembro de 2018
Local: Dacar, Senegal

Convite à apresentação de resumos e propostas para painéis

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O Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA) tem o prazer de anunciar a realização da 15.ª Assembleia Geral que terá lugar em Dacar, Senegal, de 17 a 21 Dezembro de 2018, sob o tema ‘África e a Crise da Globalização’. A Assembleia Geral da CODESRIA é um encontro trienal de eruditos e académicos das áreas das Ciências Sociais e Humanas em África e na Diáspora. Na mesma altura, será realizada uma reunião dos membros em pleno gozo de seus direitos a fim de examinar o funcionamento do Conselho no período decorrido desde a 14.ª Assembleia e decidir qual será, em linhas gerais, a agenda a ser prosseguida nos próximos três anos.

A próxima sessão da Assembleia será o momento oportuno para que os estudiosos, tanto da diáspora africana, como do continente, reexaminem a questão da globalização que há mais de duas décadas é objecto de debates intelectuais devido às contradições contínuas a que tem dado origem sobretudo no que tange ao desenvolvimento do continente. Desde o primeiro momento, a globalização prometia uma maior abertura do mundo à circulação de pessoas, bens, serviços e ideias, uma ideia resumida na imagem da transformação do mundo numa ‘aldeia global’, caracterizada por uma maior prosperidade para todos, economias mais vibrantes, crescente democratização e pelo respeito pelos direitos de cada um.

Contudo, as actuais versões da globalização têm uma tendência vincadamente neoliberal, o que representa uma alteração significativa no processo histórico da globalização em que África desempenhou um papel fundamental não obstante as consequências devastadoras para si. O mercado livre que a globalização continua a promover na senda desta ‘aldeia global’ tem facilitado a contracção do estado e da sua capacidade reguladora o que tem acarretado consequências adversas em todo o mundo. A desregulamentação e a privatização procuraram reduzir a intervenção do estado a um mínimo possível e transformaram as instituições de previdência social estatais em meras ‘instituições de valorização do mercado’ em nome da eficiência. O entusiasmo com que se têm exercido várias imposições para preparar o caminho para o mercado livre sugere que existem metas políticas e sociais que ultrapassam os objectivos puramente económicos e utilitários muitas vezes ventilados e ilustra a falta de escolha implícita nas promessas da globalização. Os campos político e sociológico que inspiram a ideia da globalização e as rotas indicadas como conduzindo a esta mesma globalização são, pelas razões supracitadas, merecedoras de reflexão intelectual.

Dada a persistência da pobreza e o aumento das desigualdades económicas causadas pelos elementos económicos e sociopolíticos da globalização, não é de surpreender o recuo em relação aos princípios fundamentais do processo de globalização que se observa por toda a parte, mesmo por parte de círculos que inicialmente promoviam o processo. Há amplos esforços a serem feitos no sentido de “reterritorializar” as identidades, incluindo no núcleo duro da globalização. Os movimentos obscurantistas e iconoclásticos que prometem um regresso a estados míticos de pureza e abundância, sejam eles impulsionados por motivos étnicos ou raciais, costumam prosperar, mas com consequências devastadoras para as pessoas enquanto indivíduos, para as sociedades, e no que respeita os princípios básicos que permitem garantir a dignidade humana. Alguns dos principais locais de onde foram projectadas as ideias da globalização estão agora na dianteira na tentativa de recuar dessa mesma globalização como a construção de muros, quer físicos, quer institucionais e ideológicos, muitas vezes disfarçados como tentativas de restaurar as glória e grandeza passadas, atesta. Ironicamente, o estado, que foi alvo dos defensores do mercado livre como via para a globalização, é muitas vezes atacado pelas vítimas da globalização que o acusam de não as ter protegido contra os maiores excessos do mercado. Por um lado, há quem apresente estes problemas como patologias inerentes ao processo da globalização, outros sugerem que são o resultado de a globalização não ter sido levada até às últimas consequências. A relação de causa e efeito entre alguns destes fenómenos e o processo da globalização, com a qual coincidem, merece uma maior atenção.

Tanto nas suas manifestações históricas, como nas actuais, o continente africano tem estado no âmago da globalização, tendo não só influenciado o processo como sido influenciado por ele. Sem dúvida que África, juntamente com outros locais no Sul global, têm estado envolvidos em processos que nem sempre lhes têm trazido benefícios. Mas a heterogeneidade do continente requer um foco nas formas variadas em que diversos círculos em África têm estado ligados aos processos de globalização, neles participados, lhes têm resistido e são por eles influenciados. As diferenças de classe, sectoriais, sub-regionais e linguísticas, bem como a clivagem entre as populações urbanas e as populações rurais, passam para primeiro plano nos esforços para se compreenderem a posição do continente africanos no contexto da globalização. As questões relativas às gerações e às questões de género são fundamentais para se compreender a forma como África molda os processos da globalização e ao mesmo tempo é por eles moldada. Um exame aturado com uma base histórica sobre a posição de África na globalização continua a ser merecedor de estudo académico.

As diferentes formas como diferentes partes do continente se situam nos processos da globalização, e são afectadas por eles, influenciam os esforços envidados no sentido de se definir e moldar o futuro do continente num mundo em evolução. A Agenda 2063 da União Africana e os planos globais, incluindo os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, são apenas os últimos exemplos destes esforços. Estas visões e agendas oficiais coexistem com planos não oficiais e esforços populares que visam unir os povos do mundo o que sugere que existem várias visões sobre aquilo em que consiste a ‘globalização’. É importante investigar as inúmeras formas como a globalização é vista e as políticas que levam a que se dê mais valor a determinadas perspectivas em prejuízo de outras que são, consequentemente, marginalizadas. Mais importante ainda, o aumento na resistência aos aspectos negativos da globalização em África exige uma análise intelectual e de políticas mais profunda.

Ao longo dos anos, as reuniões da Assembleia-Geral da CODESRIA têm dado oportunidade a intensas discussões sobre as tendências socioeconómicas e políticas que afectam o desenvolvimento do continente. A 15.ª Assembleia-Geral dá continuidade a esta tendência e oferece aos participantes o espaço para analisar a história da globalização, bem como as crises e as oportunidades criadas por este fenómeno em África. Os estudiosos são incentivados a examinar a actual conjuntura, explicar os desafios da globalização e discutir criticamente as alternativas às narrativas dominantes da globalização que se encontram num acentuado estado de crise. Segue-se uma lista dos subtemas que deverão ocupar os estudiosos que desejem participar dos debates que terão lugar na assembleia:

  • i. A globalização: seu itinerário e iterações
  • ii. África nas iterações da globalização
  • iii. O pan-africanismo e a integração regional africana
  • iv. O estado-nação africano e a globalização
  • v. A paz, a segurança e as geopolíticas do continente africano
  • vi. Planeamento, processos políticos e a globalização em África
  • vii. A globalização e a transformação económica de África
  • viii. A globalização e a alteração da ecologia africana
  • ix. A mulher africana e a vivência da globalização
  • x. A juventude africana e a vivência da globalização
  • xi. A globalização e o contrabando em África e suas imediações
  • xii. Religião, fundamentalismo e globalização
  • xiii. África na produção global de conhecimentos
  • xiv. O papel das ciências humana ao repensar-se a globalização
  • xv. A ciência e a inovação com a globalização

Os estudiosos que pretendam ser considerados para participar da 15.ª Assembleia como palestrantes ou como coordenadores de painéis são convidados a enviar um resumo da palestra que pretendam apresentar ou propostas sobre o painel que desejem coordenar para avaliação por parte do Comité Científico da CODESRIA até dia 30 de Abril de 2018. Os candidatos seleccionados nesta primeira ronda deverão apresentar o artigo devidamente redigido para uma segunda ronda de avaliação até dia 1 de Julho de 2018. Os participantes selecionados para participarem da Assembleia-Geral serão informados da decisão do júri de avaliação durante o mês de Agosto de 2018. Os resumos das palestras não deverão exceder 600 palavras e as propostas de coordenação de painéis não devem exceder 1200 palavras. Uns e outros devem indicar explicitamente em que subtema as suas propostas se enquadram.

O Conselho criou um portal no seu site através do qual todos os resumos e as propostas de painéis serão submetidos. Os candidatos devem utilizar o seguinte link http://codesria.org/generalassembly15 para submeter as suas propostas. O portal estará aberto para a recepção das mesmas a partir do dia 16 de Março de 2018.
Para mais informações sobre a 15.ª Assembleia Geral da CODESRIA, é favor contactar:

Gabinete do Secretário Executivo
CODESRIA

BP 3304, CP 18524
Dacar, Senegal
Tel: +221 - 33 825 9822/23
Fax: +221- 33 824 1289
E-mail: general.assembly@codesria.org
Página Web: http://www.codesria.org




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